Neste artigo publicado na PCDD Global, o autor convida-nos a fazer uma pausa e a olhar mais de perto, descobrindo que, apesar do seu brilho, a IA tem profundas carências intrínsecas.
Conta-nos que esta IA, tão avançada, na realidade não “sabe” no sentido humano; falta-lhe a compreensão profunda, o senso comum ou a consciência que nos define. Limita-se a operar com a lógica fria dos algoritmos. Também não “recorda” como nós; não guarda experiências subjetivas nem aprende com elas com a riqueza da memória humana, antes armazena e recupera informação. E, crucialmente, não “faz” as coisas com uma intencionalidade ética própria nem assumindo uma responsabilidade intrínseca pelas suas ações ou pelas consequências destas.
Este conjunto de “não saberes” e “não fazeres” conscientes cria um “vazio” significativo. Um espaço onde podem florescer enviesamentos não detetados, onde a desinformação pode propagar-se sem controlo, onde as decisões podem ser tomadas sem empatia e onde a prestação de contas se torna difusa. É um vazio que a tecnologia, por si só, não consegue preencher.
Mas a história não termina na constatação deste vazio. O artigo apresenta-nos o herói desta narrativa: a GOVERNAÇÃO HUMANA. É a única capaz de lançar pontes sobre esse abismo. Através de quadros éticos sólidos, regulamentação ponderada e uma supervisão humana ativa e vigilante, podemos orientar o desenvolvimento e a aplicação da IA. Não se trata de travar o progresso, mas de o dirigir com sabedoria, assegurando que esta poderosa ferramenta se torne uma aliada do bem comum, mitigando os seus riscos inerentes e preenchendo esse vazio com responsabilidade, ética e propósito humano.
Em essência, a IA é um instrumento formidável, mas somos nós, através de uma governação eficaz, quem deve escrever o guião de como será utilizada para construir um futuro melhor e mais justo para todos.